Autorrespeito é uma forma silenciosa e profundamente ética de cuidado consigo. Não se anuncia em gestos grandiosos nem se confunde com rigidez; manifesta-se na capacidade de reconhecer limites e honrá-los, mesmo quando isso exige coragem íntima. Honrar-se é um exercício cotidiano de escuta: perceber onde se está, até onde se pode ir e, sobretudo, onde não se deve permanecer.

Há uma violência sutil quando insistimos em caber em espaços que nos diminuem. Ela não deixa marcas visíveis, mas corrói a dignidade aos poucos. O autorrespeito nos convida a interromper esse movimento — não para nos afastarmos do mundo, mas para nele permanecer sem nos trair. Saber até onde ir é compreender que adaptação não deve significar apagamento, e que concessões constantes, quando feitas à custa de si, transformam-se em renúncia.

Esse compromisso se materializa em atitudes concretas. Começa quando você coloca um limite que vem adiando — não como confronto, mas como honestidade consigo. Dizer “até aqui” é reconhecer que tempo, energia e afetos não são recursos disponíveis a qualquer custo. O limite não afasta o outro; aproxima você de si.

Autorrespeito também é a forma como você se trata quando erra. Em vez da dureza automática, há a escolha da gentileza. Errar não é falha moral; é parte da experiência humana. Tratar-se com respeito é assumir responsabilidade sem se humilhar, aprender sem se desqualificar.

Há ainda os gestos cotidianos: permitir-se descansar sem culpa, não se explicar excessivamente para justificar escolhas legítimas, ouvir o próprio cansaço antes que vire esgotamento. Por isso, a pergunta essencial permanece: o que preciso respeitar em mim hoje? A resposta muda, mas o compromisso é o mesmo — não se abandonar.

-Katya Mourthé